quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Zero

Grau de autoestima: Zero
Grau de autoconfiança: Zero
Grau de esperança: Zero
Grau de felicidade: Zero

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Entrar e ver-te a amá-la, a entregares o teu corpo (pára coração, não penses!), ouvir-te a querê-la, a desejá-la, a tua boca na curva do pescoço dela, os teus olhos a quererem o rosto, o corpo que não são meus (pára coração, não sangres mais!), abraçar o teu corpo que abraçou outros corpos antes do meu, o teu corpo que se entregou por inteiro como dantes a mim (pára coração, não te rasgues mais!), ouvir-te dizer o que a mim dizias, tão longe de mim, tão perdido, para sempre perdido (pára coração, não rebentes, não te partas, não chores mais, coração). 

sábado, 18 de fevereiro de 2012


(É hoje... É só hoje.)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nos teus olhos havia medo, apenas isso, medo. E a tua mão estava fria e sem forças. No meu peito ardia uma dor sem nome, uma mágoa enorme pelo terror de te perder. Não entendes? Se tu partires, não tenho mais ninguém. Já não tenho mais ninguém. Por isso, aguenta-te. Por mim, luta tudo o que puderes e não me desampares.
Eu estou aqui. A segurar-te a mão.

sábado, 3 de setembro de 2011

(...)

Enterro os sonhos, um por um, até não restar mais nada. Rasgo o peito, procuro os mais ocultos, os que se escondem atrás da memória de um sorriso, de uma música, de um abraço dado com saudade, no perfume inesquecível de uma pele quente de suor... Enterro-os todos, num manto de silêncio. E depois, olho-me ao espelho, encaro os meus olhos vazios de mim, onde eu já não moro, e abro de par em par a janela da saudade.

sábado, 20 de agosto de 2011

No fundo

Como pudeste abandonar-me? Como foste capaz?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O meu mundo é do tamanho da minha tristeza. Ou da minha solidão.

domingo, 29 de maio de 2011

A sós comigo

Há tanto tempo que não entrava aqui... E no entanto pouco ou nada mudou, as emoções, os medos, os fantasmas são os mesmos de sempre. Como se o coração fosse afinal um elo circular, sem princípio nem fim, num eterno retorno às dores que julgava sanadas. Mas são as mesmas, as minhas dores.
Aqui, melhor do que em qualquer outro sítio, percebo a minha solidão, consigo ouvi-la... e entendo que no fundo de tudo, será sempre assim.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Calma

Com uma estranha e assustadora calma, fecho esta porta na minha vida. Talvez a abra um dia, quem sabe. Talvez. Ou talvez a minha voz não volte a ouvir-se e tese nenhuma chegue algum dia a ser escrita. Escrevi os e-mails aos professores e à orientadora, arrumei todos os livros que me falavam de Amor, de Erotismo, de David Mourão-Ferreira. Rasguei papéis e apaguei pastas no computador e na pen. A universidade é um espaço de portas cerradas a sete chaves, onde não quero voltar.
Respiro fundo. E sim, deixo que as lágrimas caiam... Afinal, esta é só mais uma das coisas em que fracassei. É só mais uma das minhas derrotas... Só mais uma.

Contigo esta noite

Sonhei contigo esta noite. Caminhávamos de mãos dadas e as nossas alianças batiam uma na outra e faziam-se ouvir num tilintar de aço que refulgia ao sol. Era Verão e estava calor. Tu cheiravas a ti e tinhas os cabelos molhados, como se tivessem sido acabados de lavar. Tinhas a barba comprida e macia, como eu gosto tanto de te ver, e vestias a camisa branca que eu adoro e não te vi usar este ano.
Sonhei contigo esta noite. Eu trazia o meu vestido vermelho e a carteira castanha que me ofereceste há uns anos numa Páscoa qualquer. Sorríamos ambos e estávamos felizes. Conversávamos e caminhávamos de mãos dadas, mas não me lembro o que dizíamos... Parámos de repente junto a um muro alto e do outro lado via-se o mar. Ficámos a olhá-lo em silêncio, debruçados sobre o muro e tu beijavas-me o cabelo e a nuca, abraçavas-me pela cintura... E depois, levantaste a saia do meu vestido e despiste-me lentamente as calcinhas, que guardaste no bolso dos teus jeans. Prendeste-me pelas ancas e entraste em mim por trás, com ternura primeiro e depois com tesão, em ondas de prazer que cheirava aos nossos corpos...
Sonhei contigo esta noite. Sonhei que nos amámos junto ao mar, numa fome incontrolável um do outro... Sonhei contigo esta noite... E estávamos juntos. E estávamos felizes.

sábado, 13 de novembro de 2010

Um poema para ti


Contei-te há pouco da minha solidão à mesa do café. Do quanto desejei ter-te ali comigo, sorrindo-me do outro lado da mesa, o corpo dizendo tudo o que as palavras calavam... Contei-te do quanto queria a tua mão no meu joelho por baixo da mesa, os nossos dedos tocando-se de raspão, enganando os olhares do mundo num momento só nosso... Mas não te contei do poema que te fiz e que fala do mar que há por dentro dos teus olhos, do sol que brilha no teu sorriso tão lindo quando estás feliz... Não te contei que esse poema não pode morar aqui porque pertence à nossa casa... Não te contei que passei por lá sem entrar porque me assustam muito as portas cerradas e as casas vazias... Não te contei que me falta essa nuvem azul onde me encontro contigo em cada palavra, no fim de todas as frases... E tenho a certeza que também não te contei que me sinto perdida e insegura porque não posso aninhar o meu poema no escuro e no frio de uma casa desabitada, onde não ouço os teus passos ou o teu riso...
Não posso, sabes? Mesmo que o meu poema seja para ti.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um dia...


Procuro a calma. Espero-a. Chegará um dia, quando o teu nome já nada significar para mim. Quando não te recordar todos os minutos do meu dia. Quando não doer este farrapo cá dentro de mim, este peito que arde, rasgado em mil vazios. Quando eu já não tiver pena, muita pena. Quando eu for capaz de acreditar que as tuas palavras tinham um motivo, uma razão de ser. E que as sentias. A calma chegará quando eu descobrir que não era mesmo possível, que foi um sonho longe demais, alto demais.
Nesse dia, conseguirei sorrir-te, olhar-te nos olhos e acreditar que procurávamos juntos aquilo que os homens não têm, porque é privilégio dos deuses: o verdadeiro amor. Um amor imenso, maior do que a nossa vontade, do que a nossa razão. Um amor que mandava em nós e nos guiava os passos e os gestos, as palavras e o sentir. Um amor que fez doer muito, cheio de lágrimas e desespero, mas também o único que fazia bater com força o coração e queimava o corpo, incendiava a pele.
Um dia vou contar-te. Vou contar-te o tanto que eu queria que desse certo, o tanto que me deste, o nada que me deixaste... Um dia, serei capaz de ouvir o teu nome sem desabar. E de te olhar nos olhos sem me lembrar que foste o meu sol, a minha vida, a minha água... teimosamente, mesmo vivendo debaixo de fogo.
Quando a calma chegar, vais ver, vou ser capaz de te dizer o tudo que te amei... E não vai doer.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Regressar


Regressamos sempre aos lugares onde fomos felizes.
Abro esta porta com saudade... e com vontade de ficar.

sábado, 24 de julho de 2010

Um pedaço de nada


Sentei-me lá fora nos degraus durante muito tempo. O frio do mármore atravessava-me a roupa e senti muito frio... E no entanto, uma lua enorme, muito branca, muito brilhante, emoldurava o céu. Esta é aparentemente uma noite igual a todas as noites... A calma e o silêncio pesam-me como chumbo e sei que esta noite não dormirei. Porque esta noite não é igual às outras. Esta noite venho despedir-me. Venho fechar esta porta sobre mim, sobre as minhas emoções mais secretas, mais doídas e mais felizes... Gosto deste espaço, gosto muito. Gosto do título... Um Rasto de Perfume... O rasto do teu perfume. Do perfume da tua pele. Do teu cabelo acabado de lavar. Do tabaco nas pontas dos teus dedos. Do suor no fim do amor. Do sexo feito com saudade e loucura. Tantos perfumes... Sei-os de cor, os teus perfumes. Estão na minha memória e dentro de mim.
Fecho esta porta com uma tristeza infinita... E sinto-me um caco de vidro partido... um grão de areia... um pedaço de nada.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ondas


A serenidade paira à minha volta e dentro de mim. Uma estranha calma envolve tudo e eu respiro-a fundo, sustenho-a no meu peito, abraço-a. Do outro lado da noite, tu. Tão longe e tão perto de mim, tão fora e tão dentro, correndo-me no sangue, pulsando-me no coração. Vou deitar-me contigo hoje. Com a tua memória, com a memória do silêncio daquela praia deserta e da noite escura na última noite em que nos pertencemos, em que fomos tão felizes... A memória da tua voz sussurrando-me coisas inconfessáveis, das tuas mãos entre as minhas enquanto conduzo, do teu jeito meigo de me acenderes um cigarro e de o partilhares comigo, do teu cheiro e da tua pele... Do teu abraço.
Apetece-me ficar contigo esta noite, assim, abraçada a ti. Por isso, tu sabes, eu tinha de vir aqui fumar o último cigarro contigo. Eu tinha de dizer-te tudo isto nesta estranha calma que me invade... Não, não são saudades... São ondas. Apenas ondas... Ainda as tuas ondas a bater em mim...